terça-feira, 20 de março de 2012

Lição de vida

Essa semana tive o grande prazer de conhecer uma pessoa incrível! O nome dele Francisco.
Na hora do almoço, quando as outras fisioterapeutas foram dormir, sentei-me para assistir TV na recepção da clínica e vi chegando um senhor, caminhando com sua bengala. Ele se sentou em um dos bancos na frente da clínica e sorriu para mim. Abri a porta e perguntei se ele estava aguardando atendimento, ele disse que sim, mas que havia chegado muito cedo e esperaria o atendimento ali fora. Convidei-o para entrar, não sabedo que seria uma lição de vida que guardaria para sempre...
"Seu Francisco", 75 anos, com sequelas motoras de um AVC, me contou sua história, contou-me que há dois anos chegou aquela mesma recepção de cadeira de rodas, não fazia nada sem ajuda. Não caminhava, não movia os braços... Contou que sofreu o AVC no interior do Pará onde morava, e que passou por três médicos que disseram que seu prognóstico era de não melhorar, que ele deveria se contentar em não ter morrido.
Assim que ele veio para o Rio, "Seu Francisco" passou por outra avaliação médica. Disse o seguinte para o médico: "Doutor, sou um homem de poucas palavras, não sou de romantismos, pois minha vida não foi nada bela me diga a verdade, há alguma possibilidade de eu melhorar?" O médico disse a "Seu Francisco": O senhor tem 85% de chances de melhorar, os 15% restantes serão responsabilidade da sua força de vontade. E foi com toda a energia que ele saiu do consultório direto para as mãos de um fisioterapeuta. Ele sabia que seria um trabalho muito difícil, mas que venceria, assim como venceu todas as dificuldades da sua vida.
Naquele dia comemorei com ele a vitória de conseguir levantar-se da cadeira sem usar a bengala ou as mãos, trabalhamos muito. Ainda há muito para se trabalhar, mas também muito para melhorar.
Seu Francisco me deu um presente. O presente de aprender que não adianta esperar uma vida bela e romântica, que as coisas não são fáceis, mas que só depende de nós a vitória. Somos donos dos 15%, só resta a nós decidir o que fazer com eles.

Beijos para todos!

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Erica