domingo, 10 de março de 2013

Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou

< Estava vendo o programa Esquenta da Rede Globo, e uma matéria me chamou atenção. Mulheres que tiveram câncer de mama.

Quando eu tinha 17 anos e minha filha 3 meses, tive um tumor na mama direita. Foi muito agressivo.

Lembro da feição do médico na emergência quando viu o estado do meu seio e chamou outos médicos. Era claro em sua expressão:"câncer de mama".

Como eu fazia acompanhamento em um Hospital Federal, que atendia gestantes de risco, começei o tratamento lá. Eram sessões diárias de punções para drenar a secreção. Doía pavorosamente, pois, anestesias não pegavam. Antibióticos, analgésicos e muitas dogas, gelo, calor, tudo foi usado.

Na época era casada, e meu marido desmaiou na segunda sessão das punções. Depois disso, meu pai e minha mãe me acompanhavam.

A viagem até o hospital era torturante porque qualquer balanço doía. Não queria dar trabalho para ninguém, então mordia a coberta para não gritar e chorava sem deixar que ouvissem. Começei a tomar morfina. No primeiro dia o resultado foi quase instantâneo. Tomei e dormi.Depois começou a demorar mais para fazer efeito...

Um dreno foi colocado em mim. E eu andava com uma bolsa coletora para a secreção. Os dias até chegar o resultado da biópsia se estenderam eternamente... A equipe se reuniu e a decisão foi internação para cirurgia. A médica (perdões doutora, mas não lembro seu nome), entrou de férias nesse período mas ia todos os dias para cuidar de mim.

Quando acordei da cirurgia, não tinha dor. Tinha um seio bem menor que o outro, mas na hora nem liguei. Deixar de sentir dor, para mim, era uma vitória.

Fiz uma sessão de químio, tomei remédios por uns dois ou três meses, tive que parar de amamentar e fazer acompanhamento.

Hoje, quando vi mulheres contando suas experiências, relembrei da minha. Uma delas disse que na época pensou: "Por que eu?". Eu nunca pensei isso, mas pensava:"Senhor, minha filha acabou de nascer, não posso morrer".

 Algumas vezes, quando a dor era tão grande, pensava que ia quebrar meus dentes de tanto apertá-los, pensava:"Quero morrer", mas, havia uma força dentro de mim, que me colocava para frente, que me fazia enfrentar, era o amor. Amava minha filha e amava à Deus.Sabia que ele me faria vencedora.

Depois disso, passei a ver a vida de outra forma. Não deixo escapar nada. Faço amizades fácil,digo eu te amo para as pessoa que amo,procuro ajudar, converso com pessoas que nem conheço, estou sempre presnte e disposta a viver. Tenho medos, mas nenhum deles me cega. Quero desesperadamente viver, porque sei que de uma hora para outra isso aqui acaba e não levamos nada.

Não reclamo mais. Estou viva, posso andar, me alimentar, não estou em uma cama de hospital e tenho pessoas que sei que me amam, o que já é motivo suficiente para me dar forças para ir em frente. O que passou, ficou para trás. Não posso mudar. Posso aprender com o que aconteceu.Vou sempre olhar para trás e ver coisas com carinho e com amor, porque sou assim, não guardo mágoas ou rancores. Mas agora a estrada está à minha frente e tenho muito caminho à percorrer. Sozinha não estarei nunca. Levo comigo a fé. Espero sempre ter os amigos por perto e espero fazer diferença e poder ajudar aqueles que precisarem de mim durante esse caminho. Para todos que estão com algum problema em sua saúde. Tenham fé. As grandes tmpestades trazem um lindo arco íris no final.

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Erica